Trabalho final

Relatório reproduzível de uma análise própria

Entrega: a combinar com a turma no Encontro 1 · Formato: .qmd + .html renderizado + dados (ou link para eles)

O que é

Uma análise completa de um conjunto de dados seu — idealmente do seu mestrado ou doutorado — escrita como documento Quarto que qualquer pessoa consiga renderizar do zero e obter exatamente os seus resultados.

Não é um relatório sobre a disciplina. É a análise que você precisaria fazer de qualquer jeito, feita direito e documentada.

Estrutura exigida

A espinha é o checklist de Davis & Kay (2023): quatro seções que toda descrição de método estatístico deve conter.

1. Objetivo

Qual é a pergunta? Formule de modo que a resposta seja um parâmetro estimável, não uma vaga “relação entre X e Y”. Diga se a análise é confirmatória (a hipótese existia antes de você olhar os dados) ou exploratória. As duas são legítimas; apresentá-las trocadas não é.

2. Variáveis

Resposta e preditoras, com unidade, escala de medida e amplitude observada. Para cada preditora, diga por que ela está no modelo — e, se couber, desenhe o DAG (dagitty) que justifica a escolha. Variável no modelo por estar no banco de dados não é justificativa.

3. Método estatístico

Distribuição assumida para a resposta e função de ligação, com a razão biológica da escolha. Estrutura de efeitos aleatórios, se houver, e o que cada um representa em termos de delineamento amostral. Como a sobredispersão e o excesso de zeros foram verificados. Critério de comparação de modelos, se houver comparação.

4. Implementação

Versão do R, versões dos pacotes principais, semente aleatória. Uma chamada sessionInfo() ou sessioninfo::session_info() ao final resolve.

Seções adicionais

Além do checklist, o relatório deve conter:

Análise exploratória seguindo o protocolo de Zuur & Ieno (2016): outliers, homogeneidade de variância, distribuição da resposta, excesso de zeros, colinearidade entre preditoras, relações entre resposta e preditoras, interações, independência.

Diagnóstico do modelo com DHARMa — resíduos quantílicos simulados, teste de dispersão, teste de zeros inflados. Mostre os gráficos e comente o que eles dizem, mesmo (e principalmente) quando o ajuste não é bom.

Interpretação biológica. Traduza os coeficientes para a escala da resposta e diga o que significam para o organismo ou o sistema. Um parágrafo de conclusão que um leitor da sua área entenda sem olhar a tabela.

Extensão bayesiana (opcional, recomendada)

Reajuste o mesmo modelo em brms e relate segundo o BARG (Kruschke 2021): preâmbulo mais os seis passos. Comparar as duas estimativas — e explicar por que diferem, ou por que não diferem — vale mais do que qualquer análise adicional.

Critérios de avaliação

Critério O que se espera
Adequação do modelo A distribuição e a estrutura de efeitos correspondem ao que os dados são e a como foram coletados
Diagnóstico Os problemas foram procurados, encontrados e discutidos — não escondidos
Justificativa Cada escolha analítica tem uma razão explícita, biológica ou estatística
Reprodutibilidade O documento renderiza do zero em outra máquina
Interpretação Os resultados são traduzidos para linguagem biológica, sem exagerar o que os dados sustentam
Honestidade Limitações declaradas; análises exploratórias não apresentadas como confirmatórias

Um modelo que não ajustou bem, com diagnóstico honesto e discussão do porquê, vale mais do que um modelo aparentemente perfeito com o diagnóstico omitido.

Prazo

2 de outubro de 2026, uma semana depois do último encontro.

Como entregar

Por e-mail, para o meu endereço institucional, que eu passo no Encontro 1.

Assunto: ADU 2026/2 — trabalho final — Seu Nome

Anexos: o .qmd, o .html renderizado e os dados. Se passarem do limite de anexo, ou se não puderem circular, mande um link e a instrução de download no lugar dos dados.

No corpo do e-mail, quatro linhas — e elas contam, porque é por onde eu começo a ler:

  1. O sistema e o conjunto: que organismo, onde, quantas observações.
  2. A pergunta, em uma frase, formulada de modo que a resposta seja um parâmetro estimável.
  3. A análise é confirmatória ou exploratória? (Ou que parte é qual.)
  4. Onde você travou. O que não saiu como queria, o que ficou por fazer, a decisão de que você não gostou. Isto não desconta nota; é onde o meu comentário rende mais, e “em lugar nenhum” costuma ser a resposta menos verdadeira das quatro.

Para reenviar depois de corrigir, responda no mesmo fio de e-mail, sem abrir outro. Assim o histórico de versões fica junto.

Antes de apertar enviar

Confira, você mesmo, o que eu vou conferir:

O último item é o que mais se perde por descuido, e é critério de avaliação.

Dúvidas sobre o enunciado

No rodapé de cada página de encontro há uma caixa de comentários. Pergunta feita ali fica visível para a turma e a resposta serve para todo mundo — que é quase sempre o caso, quando a dúvida é sobre o enunciado. Essa caixa é pública: para falar de dados seus, e-mail.

Uso de modelos de linguagem

Permitido e esperado — com declaração. Ao final do relatório, informe:

  • qual modelo e qual versão;
  • que porções do código foram geradas ou modificadas com auxílio dele;
  • os prompts das partes críticas, como material suplementar.

A responsabilidade pelo código é sua, como se o tivesse escrito. Regra prática do curso: o LLM escreve o código; você escreve a ciência.

Autoria

Em trabalhos em grupo, as iniciais dos autores nos Métodos seguem o MeRIT (Nakagawa et al. 2023) — quem fez o quê, explicitamente.

Esqueleto para copiar

---
title: "Efeito de <preditora> sobre <resposta> em <sistema>"
author: "Seu Nome"
date: today
format:
  html:
    toc: true
    code-fold: show
    embed-resources: true
execute:
  warning: false
---

## 1. Objetivo

## 2. Variáveis

## 3. Método estatístico

## 4. Implementação

## Análise exploratória (Zuur & Ieno 2016)

## Ajuste do modelo

## Diagnóstico (DHARMa)

## Resultados e interpretação biológica

## Limitações

## Declaração de uso de IA

## Informações da sessão

```{r}
sessioninfo::session_info()
```