
Aula 5 · Métodos Filogenéticos Comparativos · PPGBA/UFMS

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Os mínimos quadrados ordinários (ordinary least squares, OLS) escolhem a reta que minimiza a soma dos resíduos ao quadrado.
| Matemática | Tradução para língua humana |
|---|---|
| \(y = X\beta + \varepsilon\) | Relação linear entre \(y\) e \(X\) |
| \(X\) é uma matriz \(n \times k\) de posto cheio | As colunas de \(X\) são independentes |
| \(E(\varepsilon\varepsilon' \mid X) = \sigma^2 I\) | Homocedasticidade e ausência de autocorrelação |
| \(\varepsilon \mid X \sim N(0, \sigma^2 I)\) | Resíduos normais, com média zero e variância homogênea |
Independência e homocedasticidade são duas afirmações sobre a mesma matriz:
\[ \operatorname{var}[\varepsilon_i \mid X] = \sigma^2 \qquad \operatorname{cov}[\varepsilon_i, \varepsilon_j \mid X] = 0 \;\; (i \neq j) \]
\[ E(\varepsilon\varepsilon' \mid X) = \begin{bmatrix} \sigma^2 & 0 & \cdots & 0 \\ 0 & \sigma^2 & \cdots & 0 \\ \vdots & \vdots & \ddots & \vdots \\ 0 & 0 & \cdots & \sigma^2 \end{bmatrix} = \sigma^2 I \]
Reaproveitado do curso de Análise de Dados Univariados. Ver Zuur et al. (2009).
\[ \underbrace{\sigma^2\begin{bmatrix}1&0&0&0\\0&1&0&0\\0&0&1&0\\0&0&0&1\end{bmatrix}}_{\text{OLS}} \qquad \underbrace{\begin{bmatrix}\sigma_1^2&0&0&0\\0&\sigma_2^2&0&0\\0&0&\sigma_3^2&0\\0&0&0&\sigma_4^2\end{bmatrix}}_{\text{variância desigual}} \qquad \underbrace{\sigma^2\begin{bmatrix}1{,}44&1{,}26&0{,}20&0{,}20\\1{,}26&1{,}44&0{,}20&0{,}20\\0{,}20&0{,}20&1{,}44&1{,}42\\0{,}20&0{,}20&1{,}42&1{,}44\end{bmatrix}}_{\text{filogenia: } \sigma^2\mathbf{C}} \]
A filogenia preenche o que está fora da diagonal, com a matriz C da Aula 2 (aqui, as espécies 1 a 4 da árvore-guia).
\[\Large \hat\beta_{\text{GLS}} = \big(X' \color{#1c6e8c}{\mathbf{C}^{-1}} X\big)^{-1} X' \color{#1c6e8c}{\mathbf{C}^{-1}} y\]
Com \(\color{#1c6e8c}{\mathbf{C}} = I\) (uma estrela), volta a ser o OLS: \(\hat\beta = (X'X)^{-1}X'y\).
PGLS é o GLS com a matriz C da filogenia (ou uma transformação dela por um modelo evolutivo).
Filogenia, espaço e tempo são o mesmo problema estatístico, dados correlacionados: Ives & Zhu (2006), Ecol. Appl. 16: 20–32.

OLS (C = I): inclinação 0,135; GLS com C: 1,398, a mesma dos contrastes independentes da Aula 2. Sob BM, a equivalência é exata.
Blomberg, Lefevre, Wells & Waterhouse (2012), Syst. Biol. 61: 382–391.
phylolm::phyloglm)Grafen (1989), Phil. Trans. R. Soc. B 326: 119–157.
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Assume linearidade; a estimativa depende do modelo evolutivo (λ: Aula 3; OU: Aula 4). Nos Anolis, a inclinação muda pouco, mas em outros dados pode mudar muito.
Symonds & Blomberg (2014); ideia da figura: Mazel et al. (2016), Ecology 97: 286–293.
Errado: testar o sinal filogenético na variável resposta ou na preditora para decidir se usa o PGLS.
Certo: o pressuposto é sobre os resíduos.
O melhor é ajustar um único modelo que estima, por máxima verossimilhança, o λ dos resíduos junto com os coeficientes da regressão.
Revell (2010), Methods Ecol. Evol. 1: 319–329.

X e Y simulados com sinal forte, mas Y = 1 + 1,2X + um erro sem estrutura filogenética: o λ dos resíduos é 0,00, e o OLS seria adequado.

| Estimativa | EP | p | |
|---|---|---|---|
| Intercepto | -0,499 | 0,194 | = 0,012 |
| log SVL | 1,046 | 0,047 | < 0,001 |
λ estimado: 1,013.
O corPagel pode dar λ um pouco acima de 1.
O R² do OLS não serve para modelos com resíduos correlacionados. O pacote rr2 calcula três R² para PGLS, phylolm e modelos mistos:
| R² | Ideia | Anolis |
|---|---|---|
| R²lik | verossimilhança contra o modelo só com intercepto | 0,957 |
| R²resid | variância dos resíduos | 0,961 |
| R²pred | variância das predições, com a parte filogenética | 0,961 |
Ives (2019), Syst. Biol. 68: 234–251; Ives & Li (2018), J. Open Source Softw. 3: 1028. R² do OLS nos mesmos dados: 0,867.
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Use os resíduos normalizados (resid(modelo, type = "normalized")): os resíduos brutos de um GLS continuam correlacionados pela filogenia.
O grupo de resíduos negativos são os twig, de membros curtos: um preditor que falta no modelo (bloco 4).
geiger::name.check())nlme::gls, diga qual coluna identifica a espécie (form = ~sp); sem isso, a correlação é aplicada na ordem das linhasEstão associados?

Membro posterior relativo: resíduo da regressão no SVL.
Ecomorfos dos Anolis: Losos (1990), Ecol. Monogr. 60: 369–388.

O valor crítico de F vem de simulações sob BM na árvore, e não da tabela F: F = 55,6, p = 0,001.
Garland, Dickerman, Janis & Jones (1993), Syst. Biol. 42: 265. Em R: phytools::phylANOVA.
RRPP::lm.rrpp ou geomorph::procD.pglsAdams & Collyer (2018), Evolution 72: 1204–1215.
| Termo | gl | F | p |
|---|---|---|---|
| log SVL | 1 | 1275,9 | < 0,001 |
| ecomorfo | 5 | 25,4 | < 0,001 |
Os grupos podem diferir também na taxa de evolução, e não só no intercepto e na inclinação: a ANCOVA filogenética de Fuentes-G. et al. (2016) estima as duas coisas.
Revell & Harmon (2022), seção 3.5; Fuentes-G., Housworth, Weber & Martins (2016), Am. Nat. 188: 615–627.
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| Modelo | Coeficiente | Estimativa | p |
|---|---|---|---|
| Logística | membro posterior (DP) | 2,42 | = 0,003 |
| Poisson | log SVL | 0,49 | < 0,001 |
DP: desvio padrão do membro posterior relativo. Trunk-ground têm membros posteriores relativamente longos; espécies maiores têm mais lamelas.
Lamelas: contagem reconstruída do log dos dados do phytools (round(exp(LAM)), de 13 a 42).
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E se a correlação entre dois atributos for diferente em partes da árvore (não estacionariedade)?
Revell & Collar (2009), Evolution 63: 1090–1100.
Versão bayesiana, com a incerteza das correlações: o pacote ratematrix.
Caetano & Harmon (2017), Methods Ecol. Evol. 8: 1920–1927.

Os regimes (piscívoro ou não) são definidos a priori e mapeados nos ramos, como no BM com várias taxas (Aula 4).
| Modelo | var(abertura) | cov | var(bucal) | log L |
|---|---|---|---|---|
| Uma matriz | 0,114 | 0,033 | 0,056 | 72,19 |
| Não piscívoros | 0,139 | -0,002 | 0,012 | 81,24 |
| Piscívoros | 0,076 | 0,080 | 0,129 |
Razão de verossimilhança: p < 0,001. Nos piscívoros, os dois atributos evoluem juntos; nos outros, quase não covariam.
Calculado com phytools::evol.vcv nos dados sunfish do phytools. O log L de uma matriz bate com o do artigo (72,19); o de duas não (lá, 76,85), e as taxas estão em outra escala.
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Refaça a análise numa amostra de árvores (uma posterior bayesiana, por exemplo) e relate a variação. Aqui, 100 árvores com ramos perturbados: inclinação de 1,023 a 1,083.
Ilustração simulada. Rangel et al. (2015), Evolution 69: 1301–1312.

Antes de usar qualquer método, leia o artigo que o propôs. Não fazer isso pode causar a rejeição do seu manuscrito.

X e Y, um casal? Não: parentes
Belmiro de Almeida, Bom tempo ou Idílio campestre (1893), domínio público, via Wikimedia Commons. Prática: o walkthrough da Aula 5 e o desafio.
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