O movimento browniano e a matriz C

Aula 2 · Métodos Filogenéticos Comparativos · PPGBA/UFMS

Diogo B. Provete

Hoje

  1. Do processo ao padrão
  2. O movimento browniano (BM)
  3. A matriz de covariância filogenética C
  4. O BM numa árvore
  5. Contrastes independentes

Todas as figuras desta aula foram geradas em R, com simulações ou com a árvore de 7 espécies do exemplo de Freckleton et al. (2002), a árvore-guia do curso. O código está em R/aula02_*.R.

Onde estamos

Mapa dos métodos: quatro colunas de perguntas (há sinal, como evolui, como era o ancestral, estão associados) e três linhas de tipos de atributo (contínuo, discreto, multivariado), sobre duas faixas de base. Destacadas: a faixa da Aula 2 (o movimento browniano e a matriz C) e a célula dos atributos contínuos associados (PIC e PGLS).

1. Do processo ao padrão

O BM e a matriz C

Lembram da Aula 1? Uma correlação entre X e Y…

Gráfico de dispersão de 20 espécies com uma reta de regressão crescente entre os atributos X e Y.

… ou dois clados?

Os mesmos 20 pontos, agora coloridos por clado: os do clado A ficam todos à direita e acima, os do clado B à esquerda e abaixo. Ao lado, a árvore com os dois clados nas mesmas cores.

Os dois atributos foram simulados independentes. A “correlação” vem só do parentesco: espécies próximas são mais parecidas, e os graus de liberdade ficam inflados. Hoje: por que espécies próximas se parecem?

Lógica da formulação dos modelos evolutivos

À esquerda, três trajetórias de um fenótipo ao longo do tempo, que partem de um ancestral comum e se separam. À direita, três caixas ligadas por setas para baixo: mecanismos microevolutivos (deriva, seleção, mutação, fluxo gênico), modelos evolutivos, dados interespecíficos.

Baseado no esquema de Hansen & Martins (1996).

O caminho inverso não é tão simples…

O mesmo esquema, com uma seta vermelha que sobe dos dados interespecíficos até os mecanismos microevolutivos, marcada com um ponto de interrogação.

O caminho dos mecanismos microevolutivos para a variação interespecífica é conceitual. Inferir esses mesmos mecanismos a partir de padrões interespecíficos (filogenéticos) é difícil, senão impossível.

Ideia de um slide de J. A. F. Diniz-Filho, sobre o esquema de Hansen & Martins (1996).

Padrão, não processo

“Phylogenies can only depict patterns, not underlying processes”

Losos (2011), Am. Nat. 177: 709–727.

Por isso, os métodos filogenéticos comparativos podem ser vistos como uma “phylogenetic natural history”: descrevem padrões que pedem explicação, e as explicações vêm de outras linhas de evidência.

Uyeda, Zenil-Ferguson & Pennell (2018), Syst. Biol. 67: 1091–1109.

Modelos de evolução fenotípica

  • Movimento browniano (BM): muitos métodos usam este modelo; tratabilidade analítica
  • Early burst (EB): incorpora a ideia de radiação adaptativa
  • Tendência (trend): incorpora a ideia de tendência vista em fósseis
  • Ornstein-Uhlenbeck (OU): incorpora a ideia de restrições na evolução

Quatro painéis com 25 trajetórias simuladas cada: movimento browniano (leque que se abre aos poucos), early burst (abre rápido no início e depois quase para), tendência (o leque sobe) e Ornstein-Uhlenbeck (as trajetórias sobem até um valor e ficam em torno dele).

Hoje, o BM, o modelo nulo. Os outros três ficam para a Aula 4.

2. O movimento browniano

O BM e a matriz C

Robert Brown, botânico

Retrato fotográfico de Robert Brown, idoso, sentado, de casaco escuro.

Maull & Polyblank (1855), domínio público, via Wikimedia Commons.

Cinco trajetórias de partículas num plano, cada uma de uma cor, em zigue-zague errático a partir de um ponto inicial.

Robert Brown (1773–1858) descreveu o movimento errático de partículas em suspensão na água, que leva o seu nome.

Movimento browniano

  • Modelo para a evolução de caracteres contínuos
    • segue um passeio aleatório (random walk)
  • O estado do caráter muda continuamente ao longo do tempo
    • processo estocástico de tempo contínuo
  • Depois de um tempo e de muitas simulações, o estado do caráter segue uma distribuição normal

Uma trajetória em zigue-zague de um atributo ao longo do tempo.

O BM entrou na filogenética com Cavalli-Sforza & Edwards (1967), que o usaram para modelar a mudança de frequências gênicas ao longo de uma árvore.

…mas o que é um processo estocástico de tempo contínuo?

Soma de seis dados em dez jogadas sucessivas, ligadas por uma linha, com o valor de cada soma escrito sobre o ponto.

Soma dos resultados de 6 dados (de 6 a 36), jogados 10 vezes.

Ideia de um slide de José Hidasi-Neto.

…mas o que é um processo estocástico de tempo contínuo?

Sessenta séries de dez jogadas sobrepostas, formando uma faixa embaralhada, e ao lado o histograma das somas, com forma de sino centrada em 21.

O resultado de cada jogada é imprevisível, mas a distribuição de probabilidade de um conjunto de curvas é conhecida (aproximadamente normal) e permite predizer eventos futuros.

Ideia de um slide de José Hidasi-Neto.

Movimento browniano: os parâmetros

Dois parâmetros:

  • o valor inicial, \(z_0\) (o estado na raiz);
  • a taxa de mudança, \(\sigma^2\).

Cuidado com a notação: em muitos textos o valor inicial aparece como \(\theta\). Neste curso, \(\theta\) fica reservado para o ótimo do modelo Ornstein-Uhlenbeck (Aula 4).

Movimento browniano: o processo de Wiener

Três fatos descrevem um BM. Se \(W(t)\) é o valor do caráter no tempo \(t\):

  1. \(E[W(t)] = W(0)\): em média, o caráter não sai do lugar;
  2. os incrementos (passos sucessivos) são independentes (“pouca memória”);
  3. \(W(t) \sim N\big(W(0),\ \sigma^2 t\big)\).

Traduzindo: o valor do caráter no tempo \(t\) segue uma distribuição normal com média igual ao valor inicial \(W(0)\) e variância igual à taxa vezes o tempo, \(\sigma^2 t\).

A equação do BM


\[\huge \color{#a15e3f}{dX(t)} \;=\; \color{#527238}{\sigma}\; \color{#1c6e8c}{dB(t)}\]


\(dX(t)\): a quantidade de mudança no caráter \(X\) entre o tempo \(t\) e \(t + dt\)

\(\sigma\): a raiz da taxa, que dá a escala de cada passo

\(dB(t)\): o passeio aleatório, um sorteio de uma normal com média 0 e variância \(dt\)

Simulando o BM

Uma trajetória de movimento browniano desenhada até o tempo 33, num eixo de tempo que vai até 100.

Simulando o BM

A mesma trajetória, agora até o tempo 66.

Simulando o BM

A mesma trajetória completa, até o tempo 100.

Muitas trajetórias: a distribuição no tempo t

Duzentas trajetórias de BM partindo de zero e abrindo em leque, com a primeira trajetória destacada; ao lado, o histograma dos valores no tempo 100, em forma de sino centrada em zero.

Cada trajetória é imprevisível; o conjunto tem distribuição normal, com média no valor inicial.

Duas linhagens

Uma trajetória de BM que, no tempo 50, se divide em duas linhagens (azul e vermelha) que seguem independentes até o tempo 100.

Depois da especiação, cada linhagem segue o seu próprio passeio aleatório, a partir do mesmo valor.

Duas linhagens, muitas vezes

Cento e cinquenta réplicas do mesmo esquema de duas linhagens, em azul e vermelho, e ao lado os histogramas dos valores finais de cada linhagem, sobrepostos.

Três linhagens

Uma trajetória que se divide no tempo 50 e, de novo, no tempo 75, formando três linhagens.

Três linhagens, muitas vezes

Cento e cinquenta réplicas do esquema de três linhagens, com os histogramas dos valores finais de cada uma ao lado.

As linhagens que se separaram mais tarde (vermelha e verde) compartilham mais história, e por isso terminam com valores mais parecidos entre si. É a ideia da matriz C, no bloco 3.

Por que normal? O teorema do limite central

Histograma das somas de 100 passos de mais um ou menos um, em 10 mil réplicas, com a curva normal sobreposta.

A soma de muitos passos pequenos e independentes tende a uma distribuição normal, qualquer que seja a distribuição de cada passo.

A taxa \(\sigma^2\)

Dois painéis com 100 trajetórias de BM cada, com as mesmas sementes: com sigma ao quadrado igual a 0,01 o leque é estreito; com 0,1 é bem mais largo.

Mesmas sementes nos dois painéis: só muda a taxa. Butler & King (2004) ilustram o BM da mesma forma, ao lado do OU.

A variância cresce com o tempo

Variância entre 2000 réplicas de BM em cada tempo, de 0 a 100: os pontos seguem uma reta crescente, sobreposta à reta tracejada variância igual a sigma ao quadrado vezes t.

Com \(\sigma^2 = 1\), a inclinação estimada nas simulações é 1,00: a variância entre linhagens cresce linearmente com o tempo.

Quando a evolução é descrita por BM?

Quatro painéis de trajetórias simuladas: deriva genética; mudança pontuada aleatória, em degraus; seleção fraca na escala de tempo considerada; seleção que muda de direção ao acaso. Os quatro produzem leques parecidos com o do BM.

Quatro processos (deriva; mudança pontuada aleatória; seleção fraca em relação à escala de tempo considerada; seleção que muda de direção aleatoriamente ao longo do tempo) produzem leques como o do BM.

BM: modelo nulo, não hipótese biológica

Processos muito diferentes produzem o mesmo padrão de BM. Ajustar bem um BM não mostra que houve deriva: mostra só que o padrão é compatível com um passeio aleatório.


É o mesmo raciocínio de “sinal filogenético é um padrão, não um processo”, na Aula 3.

3. A matriz de covariância filogenética C

O BM e a matriz C

Como a filogenia influencia a evolução sob BM?

O parentesco comum aumenta ou diminui a similaridade entre espécies em termos de fenótipo?


… mas antes, vamos entender o que é uma matriz de distância filogenética (patrística) e uma matriz de variância-covariância.

Matriz de distância patrística

Árvore de três espécies: A, num ramo de comprimento 5, e B e C, irmãs, com ramos de 2 a partir de um ramo interno de 3. Ao lado, a matriz de distâncias, só com a diagonal preenchida com zeros.

Matriz de distância patrística

O caminho de A até B pintado na árvore (5 + 3 + 2); na matriz, as distâncias de A a B e de A a C, iguais a 10, em destaque.

\(d(A, B) = 5 + 3 + 2 = 10\)

Matriz de distância patrística

Os ramos de B e de C pintados; na matriz, a distância entre B e C, igual a 4, em destaque. A matriz completa: 0, 10, 10; 10, 0, 4; 10, 4, 0.

\(d(B, C) = 2 + 2 = 4\): a distância soma os ramos não compartilhados.

Matriz de variância-covariância

A árvore-guia de 7 espécies com os comprimentos de ramo e, ao lado, uma matriz 7 por 7 com a palavra var na diagonal, em vermelho, e cov fora dela, em azul.

Exemplo de Freckleton, Harvey & Pagel (2002), redesenhado: a árvore-guia do curso.

Matriz de variância-covariância

A árvore com o clado das espécies 1 a 4 em azul e o das espécies 5 a 7 em verde; na matriz, os dois blocos correspondentes nas mesmas cores, e zeros entre eles.

Espécies de clados que só se encontram na raiz têm covariância zero.

Matriz de variância-covariância

O caminho da raiz até a espécie 1 pintado de ocre (0,20, 1,06 e 0,18); na matriz, a célula da variância da espécie 1, 1,44, em destaque.

\(\text{var}(sp_1) = 0{,}20 + 1{,}06 + 0{,}18 = 1{,}44\): o caminho inteiro da raiz até a ponta.

Matriz de variância-covariância

O caminho compartilhado pelas espécies 1 e 2 pintado (0,20 e 1,06); na matriz, a covariância entre 1 e 2, 1,26, em destaque.

\(\text{cov}(1, 2) = 0{,}20 + 1{,}06 = 1{,}26\): só o caminho compartilhado.

Matriz de variância-covariância

Só o ramo de 0,20 pintado, o único compartilhado pelas espécies 1 e 4; na matriz, a covariância entre 1 e 4, 0,20, em destaque.

\(\text{cov}(1, 4) = 0{,}20\)

Matriz de variância-covariância

O caminho compartilhado pelas espécies 3 e 4 pintado (0,20 e 1,22); na matriz, a covariância entre 3 e 4, 1,42, em destaque.

\(\text{cov}(3, 4) = 0{,}20 + 1{,}22 = 1{,}42\)

Matriz de variância-covariância

A árvore-guia e a matriz C completa.

Espécies 3 e 4 são mais parecidas entre si (maior covariância em termos de fenótipo) do que as espécies 1 e 2, porque compartilham maior proporção de história evolutiva comum (1,42 contra 1,26).

A regra geral

\(C_{ij}\) = comprimento do caminho compartilhado da raiz até o ancestral comum mais recente de \(i\) e \(j\). Na diagonal, \(C_{ii}\) = distância da raiz até a ponta \(i\).


Sob BM com taxa \(\sigma^2\), os valores das pontas \(\mathbf{X}\) seguem uma normal multivariada:

\[\mathbf{X} \sim N\big(z_0 \mathbf{1},\ \sigma^2 \mathbf{C}\big)\]

Em R: ape::vcv(arvore). A distância patrística é o complemento: \(d_{ij} = C_{ii} + C_{jj} - 2C_{ij}\).

A mesma filogenia pode gerar diferentes matrizes

Três mapas de calor 7 por 7 da mesma árvore: sob BM, os blocos dos clados aparecem nítidos; com lambda igual a 0,5, as covariâncias fora da diagonal ficam pela metade; sob OU com alfa igual a 2, só as espécies irmãs mantêm covariância alta.

Cada modelo evolutivo transforma a árvore numa matriz diferente: é assim que o λ (Aula 3) e o OU (Aula 4) entram nos métodos.

4. O BM numa árvore

O BM e a matriz C

Estrela × árvore

À esquerda, a filogenia em estrela, com as 7 espécies saindo da raiz, e embaixo o fenograma do BM: as 7 trajetórias se separam desde o início. À direita, a árvore-guia e o fenograma: as trajetórias das espécies irmãs seguem juntas até se separarem perto do fim.

Na estrela, assumimos que as espécies são independentes; na árvore, as espécies têm uma estrutura de parentesco.

O parentesco cria covariação

Quatro gráficos de dispersão com 1000 réplicas de BM na árvore-guia: espécies 3 e 4 quase sobre uma reta; espécies 1 e 2 numa nuvem alongada; espécies 1 e 3 numa nuvem quase redonda; espécies 1 e 5 numa nuvem redonda.

Em 1000 réplicas de BM na árvore-guia, a correlação entre duas espécies acompanha o caminho que elas compartilham.

A covariância das réplicas é σ²C

Lado a lado, a matriz C calculada da árvore e a matriz de covariância das 1000 réplicas simuladas: os números são quase iguais.

Com \(\sigma^2 = 1\), a covariância entre as pontas, estimada das simulações, reproduz C.

Por que isso importa: o erro tipo I

À esquerda, uma árvore com dois clados de 10 espécies, de ramos internos longos. À direita, barras com a proporção de simulações com p menor que 0,05: alta com OLS e perto de 5 por cento com PGLS; linha tracejada em 5 por cento.

Dois atributos independentes, simulados por BM 1000 vezes numa árvore de dois clados: a regressão comum acusa relação em 62,1 % das vezes; com C no modelo (PGLS), em 4,0 %.

É o “pior caso” de Felsenstein (1985). O PGLS é o tema da Aula 5.

5. Contrastes independentes

Estão associados?

A ideia de Felsenstein (1985)

A árvore-guia com o valor do atributo A ao lado de cada espécie: 2,51; 2,80; 2,23; 2,32; 1,64; 1,18; 0,58.

As espécies não são independentes, mas as diferenças entre espécies irmãs são: cada uma surgiu depois da separação, num ramo próprio.

Com \(n\) espécies, há \(n - 1\) contrastes independentes, um por nó.

Felsenstein (1985), Am. Nat. 125: 1–15. Atributo A do exemplo de Freckleton et al. (2002).

Passo 1: o contraste entre duas irmãs

A árvore-guia com os ramos das espécies 1 e 2, de comprimento 0,18 cada, pintados de ocre.

A diferença, padronizada pelo desvio padrão esperado sob BM:

\[c = \frac{x_1 - x_2}{\sqrt{v_1 + v_2}}\]

\[c = \frac{2{,}51 - 2{,}80}{\sqrt{0{,}18 + 0{,}18}} = -0{,}48\]

Passo 2: o valor do nó

A mesma árvore, agora com o valor estimado do nó 10, 2,66, numa etiqueta sobre o nó.

Média dos filhos, ponderada pelo inverso dos ramos:

\[x_k = \frac{x_1/v_1 + x_2/v_2}{1/v_1 + 1/v_2}\]

Com ramos iguais, é a média simples: \(x_{10} = 2{,}66\).

Passo 3: alongar o ramo do nó

O ramo que leva ao nó 10 pintado de vermelho, com a conta 1,06 mais 0,09 igual a 1,15 escrita embaixo.

O valor do nó é uma estimativa, com incerteza. Ela entra como um acréscimo ao ramo acima do nó:

\[v_k \leftarrow v_k + \frac{v_1 v_2}{v_1 + v_2}\]

\(1{,}06 + \frac{0{,}18 \cdot 0{,}18}{0{,}36} = 1{,}15\)

Repetir até a raiz

A árvore-guia com os valores estimados em todos os seis nós; na raiz, 1,83.

Nó a nó, das pontas para a raiz: 6 contrastes para 7 espécies.

O valor da raiz (1,83) é a estimativa de máxima verossimilhança do estado ancestral sob BM: voltamos a ele na Aula 7.

Os contrastes de A e de B

Nó Contraste entre Contraste de A Contraste de B
13 sp6 e sp7 0,885 1,637
12 sp5 e nó 13 0,469 -0,330
11 sp3 e sp4 -0,450 -3,600
10 sp1 e sp2 -0,483 -0,850
9 nó 10 e nó 11 0,246 -0,392
8 nó 9 e nó 12 0,996 0,258

Calculados com pic_passos() e conferidos com ape::pic().

Regressão dos contrastes pela origem

Os seis contrastes de B contra os de A, com a reta de regressão passando pela origem.

Regressão sem intercepto: o sinal de cada contraste depende só da ordem em que as irmãs foram subtraídas, e trocar a ordem tem de dar a mesma reta.

lm(pic_B ~ pic_A - 1)
lm(pic_B ~ 0 + pic_A)

Inclinação: 1,398.

Espécies × contrastes

À esquerda, B contra A nas 7 espécies, com a reta de OLS quase plana, inclinação 0,13. À direita, os contrastes, com inclinação 1,40.

Mesmos dados, conclusões diferentes: com as espécies tratadas como independentes, a inclinação é 0,13; com os contrastes, 1,40.

PIC = PGLS sob BM

pic_A <- ape::pic(A, arvore)
pic_B <- ape::pic(B, arvore)
lm(pic_B ~ pic_A - 1)                       # contrastes

nlme::gls(B ~ A, data = dados,              # PGLS com C
          correlation = ape::corBrownian(1, arvore, form = ~sp))
Inclinação
Contrastes (pela origem) 1,3982
PGLS com corBrownian 1,3982

A equivalência é exata sob BM: Blomberg, Lefevre, Wells & Waterhouse (2012), Syst. Biol. 61: 382–391.

Pressupostos dos contrastes

  • Topologia e comprimentos de ramo corretos
  • Evolução por BM (os ramos são a variância esperada)
  • Diagnóstico: o |contraste| não deve depender do seu desvio padrão

Valor absoluto dos contrastes de A contra o desvio padrão de cada contraste, sem tendência clara.

O diagnóstico vem de Garland, Harvey & Ives (1992), Syst. Biol. 41.

Para fechar

Onde estamos

O mapa dos métodos de novo, com a faixa da Aula 2 e a célula PIC e PGLS destacadas: a base de tudo o que vem a seguir.

Leituras

Antes de usar qualquer método, leia o artigo que o propôs. Não fazer isso pode causar a rejeição do seu manuscrito.

Agora é com vocês

Pintura Cozinha caipira, de Almeida Júnior: interior escuro de uma cozinha de chão de terra, com um forno de barro à esquerda; uma mulher, agachada, peneira grãos num balaio. Legenda: teoria peneirada; agora é mão na massa.

Teoria peneirada Agora é mão na massa

Almeida Júnior, Cozinha caipira (1895), Pinacoteca do Estado de São Paulo, domínio público, via Wikimedia Commons. Prática: o walkthrough da Aula 2 e o desafio.