
Aula 1 · Métodos Filogenéticos Comparativos · PPGBA/UFMS

A árvore e os dados
Porque compartilham ancestrais: parte da semelhança entre elas é herança, não resposta independente ao ambiente (Cornwallis & Griffin 2024).
Padrão, processo, história e relação entre atributos (O’Meara 2012).
Separando o que é parentesco do que é associação com o ambiente ou com outro atributo (Rezende & Diniz-Filho 2012).
Cornwallis & Griffin (2024), Annu. Rev. Ecol. Evol. Syst. 55: 181–204; O’Meara (2012), Annu. Rev. Ecol. Evol. Syst. 43: 267–285; Rezende & Diniz-Filho (2012), Compr. Physiol. 2: 639–674.
Métodos estatísticos que usam o parentesco entre as espécies para testar hipóteses evolutivas sobre seus atributos. Uma diferença importante: obter uma filogenia × usar uma filogenia.
Perguntas comuns:
O mapa dos métodos (O’Meara 2012) organiza o curso por essas perguntas.

r = -0,72, p < 0,001: X e Y parecem associados.

Mas X e Y foram simulados independentes: a “associação” vem só da diferença entre os dois clados, que se separaram cedo.


Cheverud, Dow & Leutenegger (1985); Felsenstein (1985); Grafen (1989); Harvey & Pagel (1991), Oxford University Press; Nunn (2011), University of Chicago Press; Garamszegi (2014), Springer; Revell & Harmon (2022). Curso de Sevilha (2014): mpcm-evolution.com.
| Pergunta | Estudo |
|---|---|
| Como a Polinésia foi colonizada? Árvore das línguas austronésias | Gray, Drummond & Greenhill (2009), Science |
| A complexidade política sobe e desce aos poucos ou aos saltos? | Currie et al. (2010), Nature |
| Quão antigos são os contos populares indo-europeus? | da Silva & Tehrani (2016), R. Soc. Open Sci. |
| A história cultural prediz mudanças políticas e econômicas das nações? | Matthews et al. (2016), PLOS ONE |
Os mesmos métodos que vamos usar, aplicados a línguas e culturas.
A árvore e os dados
Relações de parentesco em escalas diferentes:
indivíduos → famílias → populações → espécies
Uma filogenia (entre espécies) é a genealogia em escala de espécies: quem compartilha ancestrais mais recentes com quem. Ver Scitable, Reading a phylogenetic tree.

As linhagens se juntam primeiro dentro de cada população (monofilia recíproca); a árvore das populações resume as genealogias.
Simulação de Wright-Fisher. Ideia do painel A da Fig. 5.5 de Introduction to Population Genetics (Sinauer, 2013), reproduzida por S. Carr, Memorial University.


Raiz no ramo de A: A não é mais aparentado a B do que a C ou D. Raiz no ramo central: A é irmão de B, e os dois são grupo-irmão de C e D. A raiz muda a leitura.


Cladograma: só as relações (e, opcionalmente, as sinapomorfias). Filograma: comprimentos = divergência. Cronograma: comprimentos = tempo (milhões de anos); árvore ultramétrica, obtida com um relógio molecular.

Bootstrap (qualquer critério), Bremer (MP), probabilidade posterior (inferência bayesiana). Aqui: NJ com distância K80 nas 15 sequências de ape::woodmouse, 100 réplicas; nós com bootstrap ≥ 50.
A árvore e os dados

Ideia de um slide de J. A. F. Diniz-Filho. Também chamado New Hampshire: especificação do PHYLIP.

Ideia de um slide de J. A. F. Diniz-Filho. O comprimento vem depois de dois-pontos; no arquivo, o decimal é ponto.

Ideia de um slide de J. A. F. Diniz-Filho.

Ideia de um slide de J. A. F. Diniz-Filho.

#NEXUS
begin taxa;
dimensions ntax=3;
taxlabels A B C;
end;
begin trees;
tree t1 = ((A:2.75,B:3.76):2.0,C:2.6);
end;
taxa, characters/data, trees…)ape::read.nexus()Maddison, Swofford & Maddison (1997), Syst. Biol. 46: 590–621.
| Formato | Guarda | Uso |
|---|---|---|
| Newick | só a árvore (e comprimentos) | universal |
| Nexus | árvores, dados, blocos de programas | Mesquite, MrBayes, BEAST |
| NeXML | árvores, dados e metadados validáveis (XML) | arquivamento, troca entre bases |
Vos et al. (2012), Syst. Biol. 61: 675–689. Compartilhar as árvores publicadas, com os dados: Stoltzfus et al. (2012), BMC Res. Notes 5: 574.
A árvore e os dados
| Com modelo explícito de evolução | Sem modelo explícito | |
|---|---|---|
| Baseados em caracteres | máxima verossimilhança, inferência bayesiana | máxima parcimônia |
| Baseados em distância | distâncias corrigidas por modelo (NJ, Fitch-Margoliash) | UPGMA |
Adaptado de Van de Peer & Salemi (2009), The Phylogenetic Handbook; visão geral em Holder & Lewis (2003).

| Método | Ideia | Vantagens | Problemas |
|---|---|---|---|
| Distância (NJ, UPGMA) | matriz de distâncias par a par → árvore | rápido, bom para muitos dados | fenético (não reconstrói a história por caracteres derivados compartilhados); perde a informação das sequências; uma só topologia; não julga qual árvore é melhor; lida mal com taxas heterogêneas; não estima estados ancestrais |
| Máxima parcimônia | árvore com menos mudanças | critério simples; morfologia e moléculas; rápida | atração de ramos longos; ruim com divergência alta; comprimentos enviesados |
| Método | Ideia | Vantagens | Problemas |
|---|---|---|---|
| Máxima verossimilhança | topologia e ramos que maximizam a probabilidade dos dados, dado um modelo | critério estatístico; menos atração de ramos longos | árvore errada se o modelo for errado; lenta |
| Inferência bayesiana | distribuição posterior de árvores (MCMC, burn-in, priors) | dá a incerteza (probabilidade posterior) | depende dos priors e da convergência do MCMC |
Foi assim que saiu a árvore com o bootstrap do bloco 1. Na prática, use programas feitos para isso (próximo slide); o importante é saber ler a árvore e a sua incerteza.
| Programa | Critério | Onde |
|---|---|---|
| PAUP* | MP, ML, distância | paup.phylosolutions.com |
| MEGA | distância, MP, ML | megasoftware.net · Kumar et al. (2018) |
| IQ-TREE 2 | ML, seleção de modelo | iqtree.github.io · Minh et al. (2020) |
| RAxML-NG | ML em árvores grandes | GitHub · Kozlov et al. (2019) |
| MrBayes | bayesiana | site · Ronquist et al. (2012) |
| BEAST 2 | bayesiana, datação | beast2.org · Bouckaert et al. (2019) |
| RevBayes | bayesiana, modelos gráficos | site · Höhna et al. (2016) |
| CIPRES, NGPhylogeny.fr | servidores na nuvem | phylo.org · ngphylogeny.fr |
A árvore e os dados
| Recurso | O que oferece | No R / situação |
|---|---|---|
| TreeBASE | árvores publicadas | treebase (Boettiger & Temple Lang 2012); site fora do ar (out/2026) |
| TimeTree | tempos de divergência | Kumar et al. (2017) |
| Phylomatic | árvore a partir de uma árvore de referência | Webb, Ackerly & Kembel (2008) |
| Open Tree of Life | árvore sintética de toda a vida | rotl (Michonneau, Brown & Winter 2016); Hinchliff et al. (2015) |
| DateLife | datar uma árvore com cronogramas publicados | pacote datelife; site fora do ar (out/2026) |
| Congruificação | datar uma árvore-alvo com uma de referência | geiger::congruify.phylo (Eastman, Harmon & Tank 2013) |
Por que tão poucas árvores publicadas ficam disponíveis: Stoltzfus et al. (2012) e The failure of phylogeny databases (R. Page, iPhylo). Vamos usar várias destas na prática.
Relações para muitas espécies, para estudos ecológicos ou comparativos em larga escala. Supertree: junta árvores menores, com alguma sobreposição de espécies.
Bininda-Emonds, Gittleman & Steel (2002); Wilkinson et al. (2005); exemplo: mamíferos, Bininda-Emonds et al. (2007).
Junta sequências já depositadas no GenBank, escolhendo marcadores que minimizem dados faltantes; alinha e estima a árvore com algoritmos para muitos terminais.
Katoh & Standley (2013); Edgar (2004); Smith & O’Meara (2012); alternativa às supertrees: Smith, Beaulieu & Donoghue (2009).
Sequencia DNA e RNA de forma muito mais rápida e barata que o Sanger, para muitos marcadores ao mesmo tempo: aumentou exponencialmente os dados das filogenias (filogenômica) e da filogeografia.
Mardis (2008), Annu. Rev. Genomics Hum. Genet. 9: 387–402. Roche 454 e SOLiD já foram descontinuadas.
| Recurso | Para quê |
|---|---|
| PASTIS (Thomas, Hartmann & Jetz 2013) | completar árvores com espécies sem dados genéticos, pela taxonomia |
| Aves (Jetz et al. 2012) · Squamata (Tonini et al. 2016) | amostras de árvores completas · vertlife.org |
| Anfíbios (Jetz & Pyron 2018) · mamíferos (Upham, Esselstyn & Jetz 2019) | novo: árvores completas atuais, também no vertlife |
| Plantas: V.PhyloMaker2 (Jin & Qian 2022) | novo: megafilogenia a partir de uma lista de espécies |
phruta (Román-Palacios 2023) |
novo: do GenBank à árvore datada, reprodutível no R · docs.ropensci.org/phruta |
| phyloGenerator (Pearse & Purvis 2013), PUmPER (Izquierdo-Carrasco et al. 2014), PHLAWD, SUPERSMART (Antonelli et al. 2017) | gerar árvores do GenBank automaticamente; difíceis de instalar e pouco atualizados |
Revisão: Roquet, Thuiller & Lavergne (2013), Ecography 36: 13–26.
Os comprimentos interpolados são aproximações: trate os resultados com cautela.
A árvore e os dados
| Base | Grupo | Link |
|---|---|---|
| TetrapodTraits (Moura et al. 2024) | tetrápodes (~33 mil espécies) | novo · Zenodo |
| AmphiBIO (Oliveira et al. 2017) | anfíbios | novo |
| AVONET (Tobias et al. 2022) · EltonTraits (Wilman et al. 2014) | aves (e mamíferos) | novo |
| PanTHERIA (Jones et al. 2009) | mamíferos | novo |
| TRY (Kattge et al. 2020) | plantas | try-db.org |
| FishBase | peixes | fishbase.se |
| MorphoBank (O’Leary & Kaufman 2011) · TraitBank (EOL) | morfologia; vários | morphobank.org · eol.org/traitbank |
| Ecological Archives · Scientific Data · Biodiversity Data Journal | vários | ESA · Sci. Data · BDJ |
O Ecological Data Wiki e o Arbor (Harmon et al. 2013), análises comparativas na nuvem: ambos fora do ar (out/2026). Hoje, o mais próximo é o próprio R com Quarto.
A árvore e os dados
Os dois dificultam o estudo da evolução dos atributos e impedem análises comparativas.
Hortal et al. (2015), Annu. Rev. Ecol. Evol. Syst. 46: 523–549.

O déficit Darwiniano tem três componentes: não saber a topologia, os comprimentos de ramo ou o modelo de evolução dos atributos. Cada um propaga incerteza para a inferência.
Diniz-Filho et al. (2013), Trends Ecol. Evol. 28: 689–695.

Metade das minhas espécies não está na árvore! Calma: tem o phyndr
Belmiro de Almeida, Arrufos (1887), domínio público, via Wikimedia Commons.
phyndrphyndr e taxonlookupPennell, FitzJohn & Cornwell (2016), Methods Ecol. Evol. 7: 751–758.
Rphylopars), imputação por hipóteses ecológicas
Arnold & Nunn (2010), Am. Nat. 176: 601–612; phylotargeting.nunn-lab.org.
A árvore e os dados

Índice de Colless (I): soma, em cada nó, da diferença entre o número de pontas dos dois lados. 0 na balanceada, 21 no pente.
Mooers & Heard (1997), Q. Rev. Biol. 72: 31–54; Pybus & Harvey (2000), Proc. R. Soc. B 267: 2267–2272; ape::gammaStat.

A forma afeta a C (Aula 2) e, com ela, os testes e as estimativas de estados ancestrais.
Martins & Housworth (2002), Syst. Biol. 51: 873–880.

Antes de usar qualquer método, leia o artigo que o propôs.

Árvore lida, dados conferidos Agora, mão na massa
Almeida Júnior, O derrubador brasileiro (1879), domínio público, via Wikimedia Commons. Prática: R, formatos de árvores, TimeTree, rotl, phyndr, PhyloTargeting e Rphylopars, e o desafio.
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